segunda-feira, 10 de novembro de 2008





Escrevi isso e alguém (não me lembro quem) me ludibriou dizendo que era uma crônica. Minha audácia me fez acreditar que eu podia fazer um blog e divulgar essas e outras coisas que vieram depois. Estou aberta à críticas. Leiam - E gostem, pelo amor de Deus!!!





"Mundo em Movimento
Sofisticação nunca combinou comigo. Sempre fui do tipo que prefere o velho pão com mortadela. Resultado? Não sei escrever nada sofisticado demais, fresco demais, formal demais.
Dessa vez vou tocar numa ferida que diariamente incomoda a maioria dos brasileiros desprivilegiados de recursos financeiros para possuir um carro (inclusive a minha pessoa). Como você infelizmente tem que ir trabalhar de qualquer jeito e bicicleta é um pouco complicado pra você, submeta-se então a pegar o bom e velho ônibus.
Sim! Esse mesmo. O nosso amigão buzú.
Imagina você acordando cedo, seis da manhã. Se arruma, toma seu café e sai de casa todo perfumado, arrumadinho, todo bem disposto pra trabalhar.
Tolinho, você não tem a mínima idéia do que é que está esperando você. Como você teve sorte, só teve que esperar 17 minutos e meio para pegar a condução. Mas vale lembrar que durante esses 17 munutos (e meio) você teve que ficar ouvindo o radinho de pilha do vendedor de cafezinho (porque ainda está muito cedo para os vendedores de CD divulgarem seu material), tocando Rede Aleluia (nada contra a Rede Aleluia, mas pô! Nossas convicções religiosas precisam atrapalhar o sossego dos outros?) Isso quando não é o próprio pastor que está pessoalmente pregando a palavra de Deus no ponto.
Mas tudo bem, essa é uma fase superada.
A sua viagem vai começar agora.
Logo antes de você entrar, já percebe que não vai ter lugar para se sentar (ou seja, vai passar a viagem inteira encostado em alguma cadeira, rezando pro filho da mãe que está sentado na cadeira que poderia ser a sua descer no próximo ponto pra você sentar no lugar dele, sem esquecer que o cara em pé do seu lado tá pensando a mesma coisa), mas para não chegar atrasado você entra assim mesmo.
Como você teve sorte outra vez (aproveita que não é todo dia) você consegue sentar. A viagem é longa e entre um cochilo e outro, você descobre o quão desenvolvido é o comercio local. Durante a viagem, uns 3.535 vendedores ambulantes entram no veículo e atrapalham seu soninho para fazer uma propaganda. Você então descobre que para fazer compras, basta ir ao trabalho. Dá para levar de escova de dente à camisolas pra casa sem precisar sair do trajeto para a lida.
Isso quando o cara que entra não é de uma companhia de teatro, tocador de violão ou similar, que parece que entrou ali com o único e exclusivo intuito de incomodar você.
Para finalizar sua deliciosa viagem com chave de ouro, aparece aquele que nunca pode faltar a essas ocasiões: o caçador de assunto. Justamente! Aquele infeliz que começa perguntando as horas e quando você chega ao seu destino, sabe até o número da cueca dele.
Tudo isso no breve período em que você sai de casa para exerceu o ofício diário.
Pena que você tem que descer agora.
Puxa a cordinha, seu ponto é o próximo!"

5 comentários:

  1. Primaaaa,nossaaa!
    Muiito show aqui!
    Continua escrevendo qe suas palavras são MARA!!
    Jah ganhou uma fã hein?!
    Te amO!
    beijos!!
    Juliana

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  2. Que honra, serei a primeira a comentar!
    Sou usuária de buzú e contra os "caçadores de assunto" só mesmo um MP3... Aí dá para ir relaxando ouvindo uma boa música, mas no máximo, para competir com os decibéis dos vendedores de canetinhas, os crentes da manasés, uma beleza...

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  3. Ohh amiga..
    adorei a ideia de voltar a ler as coisas q vc escreve com mais frequencia..
    =D
    E lógico.. também sou mais uma das usuarias do famoso buzu.. e ODEIO esses ambulantes que entram gritando pra pertubar meu tão precioso sono, mas fazer o quê? É a maneira deles ganharem a vida!!!

    Beijo amiga..

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  4. adorei o 3.535 vendedores ambulantes e isso sem falar nos 17,5 minutos. rsrs vc tá andando muito com o tecladosta da sátirus viu!
    agora tem uma coisa que a população não sabe... não é qualquer um que pode ser vendedor ambulante nos buzús. eles precisam ser phd em matemática multiplicativa ou você acha que é fácil chegar a conclusão de que uma peça custa R$0,50 duas R$1,00 e quatro R$2,00 eu mesmo precisaria de anos e anos em "Haward" para chegar nessa conclusão.

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